<$BlogRSDUrl$>

trato-me por tu


You don't even know me - use your illusion: trato_meportu@hotmail.com

sábado, novembro 15, 2003

NÓS OS MESMOS

Reencontrar-te, linda. Nunca pensei que fosse possível. Chegar numa tarde a findar, bater a uma porta, vem um petiz e pergunto-lhe, a mamã? Vens tu, meu amor antigo, levantada de uma cadeira que é um baloiço, que te embala até fechares os teus olhos pretos e afastas suavemente o cabelo da sua frente e o cabelo fica a dançar enquanto fixas o olhar numa memória viva, à tua frente, olá. Não queria dizer-te olá. Nunca. Queria estar ali e que me visses. Eu. O tempo que passou e aparece numa tarde a findar só para te ver, muito bonita, ainda como sempre. Não há um ressentimento, um sentir mal. Reencontramo-nos depois de nos termos perdido há muito tempo, quando as nossas vidas pediam e nós tornávamos a fechar os olhos e afastávamo-nos de maneira que nunca pensei que fosse possível. Depois, rirmo-nos das primeiras palavras, minhas ou tuas. Nenhum olá, só o silêncio das palavras que faltam, das palavras que podiam dizer qualquer coisa que percebemos porque não dizemos nada, só muito tempo sem te ver, a tua vida e o teu filho pequeno, o teu companheiro que, eu sei, já fui, ele também é, vejo, vê-se. Não chores. Não, chora. Porque não? O tempo que passou e és linda, uma mamã crescida, uma casa com as tuas coisas. E eu? Vim ver-te, encontrar-te. Estou bem, enquanto encolho os ombros e rio do que digo. Depois rimo-nos juntos. Não, não quero entrar. Estava de passagem e.

0 Comments:

Enviar um comentário


M83
Farewell, goodbye

This page is powered by Blogger. Isn't yours?