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trato-me por tu


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sexta-feira, janeiro 09, 2004

APOSTILA

É à noite, senhor, que os braços tremem e se deixam enganar desamparados num corpo que já foi tantos.
É à noite, senhor, que a boca cala, a vontade consente. Que a verdade é solta. Que na boca é mais certo.
É à noite, senhor, depois de adormecer, que consigo ouvir-me por um ou outro canto qualquer.
Mas nem me apercebo. Desapareço na asa de uma nuvem, descanso do tempo. Vou atrás do que mexer. Rio-me das estórias tristes que inventam até adormecer mais. Fujo ás sombras apavorado e berra um raio à procura de um lugar à noite.
E é à noite. Que tudo se confunde com nada e se é alguma coisa.
Até à noite, senhor, vai um dia que só acaba quando as luzes se acendem e os braços começam a tremer.
Depois, senhor, é a noite.

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M83
Farewell, goodbye

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