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trato-me por tu


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domingo, abril 04, 2004

A POESIA NUNCA ACABA

Ouvi de que falavam aqueles que falavam, ouvi o que diziam acerca do
princípio e do fim.
Mas eu não falo do princípio e nem do fim.

Nunca houve mais princípio do que agora,
Nem mais juventude ou velhice do que agora,
E nunca haverá mais perfeição do que agora,
Nem mais Céu ou Inferno do que agora.

Ímpeto, ímpeto, ímpeto,
Sempre o ímpeto procriador do mundo.

Das trevas avançam os opostos iguais, sempre a matéria e o incremento, o sexo
sempre,
Sempre a malha da identidade, sempre a diferença, sempre a progenitura da
vida.

É inútil pormenorizar, os cultos e os incultos sabem que assim é.

Mais do que certo, de pé e firme, muito firme, entalhado nas vigas,
Possante como um cavalo, afectuoso, altivo, eléctrico,
Aqui estamos, eu e este mistério.

Clara e suave é a minha alma, claro e suave tudo o que não é a minha a alma.

Faltando um, faltam ambos, e o visível é prova do invisível,
Até que se torne invisível e por sua vez seja provado.

Mostrando o melhor e separando-o, a idade afronta a idade,
Conhecendo a perfeita adequação e a justiça das coisas, enquanto discutem
fico em silêncio, vou tomar banho e contemplar-me.

Bem-vindos são todos os meus orgãos e atributos, e os de cada homem puro
e são,
Neles não há nada de vil, e nenhum deve ser menos familiar que o outro.


Walt Whitman, Canto de Mim Mesmo
(tradução de José Agostinho Baptista)

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M83
Farewell, goodbye

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