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trato-me por tu


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quarta-feira, maio 18, 2005

F. M.

“«Oh, for the glamorous life!», derrete-se o crítico do NME. O do Melody Maker desfaz-se igualmente em maneirismos, concedendo-se o luxo das lágrimas. Mariconsos! Eles, os Tindersticks, motivo de tantos soluços e deslumbramentos, são a noite, «onde nada acontece, mas de forma maravilhosa», a solidão do celulóide, Hollywood e Londres abraçadas num amplexo de dona de casa arranjada para sair, as cordas encharcadas em grandiosa futilidade, o «easy listening» disfarçado de dor e, acima de tudo, chafurdando numa imensidão de superior autocomplacência, o «crooning» que faz desfalecer os corações, de Stuart Staples.”

Ele, “o” crítico do Público, era assim. Arrasava a nossa banda favorita e não podíamos deixar de lhe dar razão. “Curtains” é o pior disco dos Tindersticks, ainda que isso não signifique que é um mau disco.
Mas o Fernando Magalhães sabia o que dizia. E o que dizia nunca se ficava pela superficialidade que abunda nas páginas dedicadas aos discos. Ou pela falsa profundidade das sensações que corroem os espíritos dos nossos abnegados críticos, desfeitos em prosas que mais não revelam do que um razoável conhecimento da língua e uma grassa ignorância musical.

Que pena que o Fernando nos tenha deixado.
Era dos poucos que nos explicava um disco. Que nos contava um disco. Não alardeava conhecimentos desnecessários – fazia as ligações justas, limpas das questiúnculas que noutros parecem ser o essencial.

Sem ele vamos ficar mais confinados às traduções das revistas estrangeiras, aos “clichés” infindáveis, à prosápia inconsequente, aos ódios e amores de estimação, ao “mainstream”. Enfim, aos tratados sobre “o-que não-deve-ser-a-crítica-musical”.

Obrigado.

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M83
Farewell, goodbye

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