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Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
FOR THOSE
Nem precisava dos chineses e do seu aparato alegórico e tremeluzente: o sol brilha, mas o frio vem lá de onde o homem das barbas brancas vive para me trazer de mãos nos bolsos pelas ruas que ganharam uma cor especial. O mesmo frio que me faz semi-cerrar os olhos enquanto observo os escaparates das ourivesarias anunciando um "sparkling christmas" e os sacos das compras numa azáfama furiosa arrastando braços que pendem da multidão. Enquanto me viro para ouvir melhor as cantilenas reproduzidas mecânica e insistentemente. E nem é isso. É mais uma noite que já começou. Lembrar-me do meu agnosticismo de trazer por casa e lembrar-me das quantas e quantas vezes digo "meu deus". Porque é só meu, de facto. Mas, sobretudo, porque em alguns momentos não há mais ninguém e somos pouco mais do que uma ligeira impressão dessa mesma impressão. Continuar a recordar esses preceitos. Porque vou continuar a sentir a falta.
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